10.2.10

Ela.

Gostava de se pensar assim: prática, direta e transparente.
Um dia acordou e foi: independente. Mas, com os vultos na janela do metrô, só sentia solidão.

E aí decidiu ser fútil... só que poetizava cada cor pintada no rosto.

De agora em diante, resolveu que não vai tentar ser maior. E começou a editar cada defeito, tentando ser o melhor pior de si possível.
Recortou sentimentalismos, podou explosões, estancou o tremor que sempre dominou as mãos, diminuiu as ancas e nuances.
E desse jeito foi, dessa forma era. Olhava no espelho e fingia gostar do que via por dentro. Tão bem que chegava a acreditar.

Gostava de se pensar assim: prática, direta e transparente. Mas, na verdade, eu te digo uma coisa: o que ela era mesmo... era uma mulher.

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